Educação matemática e cidadania
(editorial Quadrante, Vol. 11, Nº 1, 2002)
João Filipe Matos (editor convidado) Centro de Investigação em Educação Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa
A ideia de cidadania tem evoluído desde a antiga Grécia de acordo com os tempos e as vontades dos povos mas é normalmente tomada como significando a pertença e a participação em actividades de uma dada comunidade ou grupo de comunidades. A noção de pertença passa centralmente pela ideia de que existem elementos comuns entre as pessoas que participam numa dada comunidade e tende a implicar alguma forma de atitude comum e de práticas em conformidade. E é no seio desta pertença que a comunidade atribui aos cidadãos formas de retribuição através de direitos ou privilégios. Embora com diferenças notáveis na concretização por via dos elementos culturais situados em diferentes regiões e grupos, uma noção de “cidadania” cresce invariavelmente associada às formas de pertença à comunidade. Mas é um facto que o conceito de cidadania tem estado historicamente no centro do discurso político ocidental embora as discussões digam respeito na maioria dos casos à natureza dos direitos e das responsabilidades do indivíduo. É assim que as teorias democráticas liberais colocam como fundamental a questão dos direitos e liberdades individuais acentuando um tom de individualismo que acaba por situar a cidadania num plano contra o qual Marx argumenta por exemplo no sentido de que desse modo se despolitiza as pessoas e se legitima o desenvolvimento e sustentação de desigualdades sociais. A história política recente tem mostrado as tensões existentes para além das emergentes das questões (sempre actuais) de classe e de poder. E é pelo conceito de comunidade que passam as questões principais da cidadania dado que os modelos clássicos de cidadania tendem a tratar este conceito como inquestionável e ao mesmo tempo a assumir que a ideia de comunidade está por natureza associada à ideia de estado-nação perdendo assim outras dimensões tais como a dinâmica e a complexidade das próprias comunidades. Está de facto por demonstrar que o estado-nação seja a ordem natural para pensar a cidadania e os acontecimentos recentes do terrorismo internacional (em que a religião surge com uma dimensão de força política), o crescimento das tendências federalistas na Europa, a globalização dos movimentos de capitais, etc, mostram isso mesmo. A isto acrescente-se a emergência e desenvolvimento de novos movimentos ligados por exemplo à defesa do ambiente ou dos animais para se perceber como a ideia de comunidade tem sido enriquecida com novas dimensões que apontam para a defesa das gerações futuras, dos não humanos, da Terra, etc. Trata-se de um desafio que é preciso aprofundar de modo a entender o que está envolvido no exercer da cidadania actualmente e desse modo poder trabalhar a educação para a cidadania com mais noção do âmbito, das implicações e das responsabilidades da escola nessa tarefa.
A cidadania na escola
A introdução de componentes curriculares que de modo explícito se centrem nas questões de natureza política e cívica tem sido invariavelmente objecto de muita cautela por parte das autoridades mas também terreno de diversas (e por vezes pitorescas) controvérsias. No quadro dos documentos de orientação actuais para a educação, é a própria Lei de Bases do Sistema Educativo que coloca na escola uma responsabilidade tremenda na formação social e política dos jovens:
A educação promove o desenvolvimento do espírito democrático e pluralista, respeitador dos outros e das suas ideias, aberto ao diálogo e à livre troca de opiniões, formando cidadãos capazes de julgarem com espírito crítico e criativo o meio social em que se integram e de se empenharem na sua transformação progressiva. (Lei de Bases do Sistema Educativo, Artº 2)
De sublinhar que esta formulação da Lei de Bases avança com a necessidade de formar os jovens para a dimensão da participação (e não apenas da compreensão) na vida em sociedade. A recente reorganização curricular do ensino básico promulgada em 2001 coloca em destaque a educação para a cidadania e coloca-a como elemento transversal nos currículos a ser objecto de atenção em todas as áreas disciplinares. Naturalmente que se a responsabilidade de concretizar a educação para a cidadania no ensino básico é colocada em todas as áreas curriculares, a disciplina de matemática tem que assumir um papel coerente com essa orientação. Mas o meu argumento é que, mesmo que não existisse qualquer orientação para o desenvolvimento da educação para a cidadania no ensino básico, a disciplina de matemática tem que transformar-se numa disciplina de educação de facto e perder a dimensão técnica que tradicionalmente tem assumido.
Da disciplina de Matemática à Educação Matemática
Em diversos momentos tenho defendido a ideia de que a disciplina de matemática deve ser simplesmente eliminada dos currículos do ensino básico e dar lugar a uma disciplina de educação matemática. Não se trata de uma mera alteração de nome nem de uma estratégia de argumentação sobre a necessidade de promover a reflexão sobre as finalidades e a vocação da matemática na escolaridade básica obrigatória. Trata-se isso sim de propor de facto uma mudança de paradigma no modo como se encara a formação matemática dos jovens.
Sobre o saber matemática
Uma das ideias que me parece menos clara no âmbito das discussões sobre o ensino da matemática é a ideia do que é saber matemática. Não é absolutamente nada claro de que se está a falar quando se fala de saber matemática. O modo como os programas de matemática de muitos países (incluindo Portugal) são organizados sistematicamente através dos próprios temas matemáticos (Álgebra, Geometria, Estatística, etc.) denota a crença de que ao “coleccionar” elementos de cada uma das áreas da matemática (na forma de propriedades, definições, processos de cálculo, etc.) os alunos ficarão formados em matemática ou aptos a fazer sentido das diversas coisas matemáticas que lhes foram apresentadas como necessárias. Naturalmente que nesta lógica não se pode estranhar que os alunos não sintam qualquer necessidade de efectuar uma demonstração em matemática já que as demonstrações surgem como parte de uma colecção de coisas a saber e não como algo inerentemente característico da construção humana da matemática. É óbvio que os modos como a matemática é apresentada e servida aos alunos determina os seus modos de se relacionar com esses saberes e por isso não é de estranhar o sentimento quase universalmente negativo relativamente a essa disciplina na escola. Parece tratar-se de uma crença no fenómeno que Ole Skovsmose designa de ressonância intrínseca — a ideia de que se os alunos aprenderem matemática tradicionalmente isso fará “ressonância” com outras aprendizagens e eles serão capazes por si mesmos de perceber o que a matemática tem que ver com outros domínios. Se saber matemática for entendido como adquirir um ponto de vista matemático sobre as coisas não é de esperar que conhecendo diversos temas da matemática os alunos sejam capazes de construir esse ponto de vista.
Sobre o aprender matemática
Uma segunda ideia que necessita de ser escrutinada pelos professores e pelos investigadores é a de aprendizagem. Não me refiro a revisões de literatura académicas sobre teorias de aprendizagem mas de uma reflexão sobre o que significa aprender e as implicações desse significado nas práticas escolares. Um primeiro ponto refere-se à necessidade de reconhecer que na escola básica actualmente não se ensina matemática mas sim algo a que alguns autores chamam matemática escolar. Trata-se não só de uma recontextualização da matemática (que é desenvolvida nas comunidades científicas dos matemáticos) mas da construção de uma outra coisa que assume uma lógica distinta exatamente por ser escolar — uma matemática que os alunos entendem como tendo um lugar bem definido na escola com as suas regras de legitimação e o seu discurso rígido e (artificialmente) rigoroso. Num segundo ponto quero colocar a questão do lugar que a matemática escolar (tal como existe) ocupa na formação dos jovens. A questão central é sobre a pertinência e relevância da matemática escolar. E sobre esta questão podíamos ir buscar os argumentos clássicos (mas muito falaciosos e largamente por discutir) da necessidade da matemática escolar estar incluída nos currículos, nomeadamente os argumentos de natureza psicológica (a matemática desenvolve o raciocínio) e utilitários (a matemática é útil no dia-a-dia). Nem a utilidade nem o desenvolvimento cognitivo se revelam tipicamente como elementos relevantes. Em termos sociais e políticos a relevância da matemática escolar encontra-se no seu papel de seriação e exclusão dos jovens da escola obrigatória. Aprender matemática não pode ser considerado algo distinto, na sua natureza, de outras aprendizagens que as pessoas fazem ao longo da sua vida. Partilho da ideia de Ettiene Wenger de que é útil e muito potente entender a aprendizagem como participação em práticas sociais. Mas esta ideia encerra em si mesma a noção de que se se pretende a emergência de certas aprendizagens é necessário criar condições para que os jovens participem em práticas que incluam essas aprendizagens. Este é muitas vezes encarado como o problema incontornável da educação matemática que tradicionalmente é abordado superficialmente quando remetido para as questões didácticas da disciplina de matemática. Aprender matemática hoje não pode significar mais o coleccionar de um conjunto de técnicas e definições em Álgebra, Análise, Estatística e Geometria.
Sobre o professor de educação matemática
Então em que se distingue a disciplina de educação matemática sugerida acima da disciplina de matemática escolar (tradicional)? Em primeiro lugar na sua vocação e finalidades. A escola deve visar, entre outros elementos, a educação matemática dos jovens. Isto significa que o professor responsável pela condução dessa formação não pode ser um professor que ensina matemática mas um professor que educa matematicamente os jovens levando-os a aprender a ter um ponto de vista matemático sobre uma variedade de situações, nomeadamente ligadas à natureza e à vida em sociedade. É preciso reconhecer os esforços que têm sido feitos por alguns autores de programas em diversos momentos e por muitos professores de procurar estabelecer relações estreitas da matemática escolar com outras áreas do saber (através de projectos de natureza interdisciplinar) e com situações e problemas do dia-a-dia com uma preocupação importante na construção da cidadania. Mas há ainda muito por fazer. Por exemplo, parece-me um contra senso definir de um modo auto-contido no programa de matemática as preocupações específicas que o professor deve ter com os temas matemáticos e a seguir “pedir-lhe” que faça pontes com outras áreas disciplinares. Ao assumir que essas pontes são relevantes tem que assumir-se também que o professor de educação matemática tem que colocar no centro de gravidade das suas preocupações (e por isso mesmo, no programa) outras coisas que não só as da matemática escolar tradicional.
Disponível em [http://ml.apm.pt/files/_Quadrante_volXI_1_editorial_46924599234ad.pdf]. Acesso em 18/06/2016.
É mesmo tão forte o papel da Matemática na formação da cidadania?
ResponderExcluirEntão, por que é que ainda se insiste nesta Matemática descontextualizada?
Bom dia! RESPOSTA DE JOILDA - a força do papel da matemática se da na medida que é uma necessidade de existência e comunicação assim como são necessárias as palavras, ou seja, faz parte da vida e natureza social do individuo e da sociedade. Quando nos deparamos com a metematica que é ensinada nas escolas percebemos que "a relevância da matemática escolar encontra-se no seu papel de seriação e exclusão dos jovens da escola obrigatória. Aprender matemática não pode ser considerado algo distinto, na sua natureza" A insistência do ensino da metemática descontextualizada se dá em virtude de "os modos como a matemática é apresentada e servida aos alunos determina os seus modos de se relacionar com esses saberes" , os próprios professores assim o aprenderam e repetem as velhas fórmulas ou acatam programas pré estabelecidos por não saber como fazer diferente, sendo um professor que ensina matemática e não um professor que educa matematicamente.
ExcluirEu concordo com o que a Elfa colocou é os professores dão continuidade a um ensinar matemática como se fazia a muito tempo atrás. Sem se preocupar em educar matemática. O que acontece os alunos ficam com uma verdadeira aversão a própria matemática pois a materia fica sendo como um bixo te sete cabeças. Não pela matemática em si mais como ela foi passada. Deve se pensar em uma nova forma de elaboração da disciplina de educação matemática tendo o objectivo essencial de ajudar o desenvolvimento critico dos jovens. Para que eles entendam com a matemática esta inserida em seu dia a dia.
ExcluirÉ extremamente significativo o papel da matemática na formação do sujeito cidadão, pois ela não só auxilia na constituição do sujeito critico e pensador, como contribui com o desenvolvimento do raciocínio, além de ser de suma importância para convivência social, considerando que a matemática está em tudo ao nosso redor.É possível que a descontextualização da matemática ainda exista por falta de preparo do professor da matemática, concordando com minhas colegas acima da continuidade do modo mecânico do ensinar matemática, como se a mesma fosse uma célula separada do social em que só se necessita da memorização e dificuldade dos alunos.
ExcluirJoselice Alves 02 de agosto de 2016 08:19
ExcluirA Matemática possui um papel importante tanto na vida como na formação do indivíduo. O conhecimento dos números, da localização espacial, da geometria, do desenvolvimento do corpo, são conteúdos que têm enormes significados que precisamos saber e interpretar desde a infância desenvolvendo assim nossa capacidade de análise crítica sobre resolução de problemas, comparação, localização, etc. Os alunos precisam perceber a linguagem matemática como agente integrador da aprendizagem e formação para seguir diferentes caminhos principalmente na vida profissional.
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ExcluirA educação de matemática tem o papel de formar cidadões, pois ela possibilita que o individuo tenha um olhar crítico, reflexivo, possa trazer opiniões, ver a matemática com outros domínios e desenvolver democraticamente. Entretanto, o que ainda existe é a disciplina de matemática, pois não é interesse de muitos professores, da escola ou do currículo de formação de matemáticos de transformar a disciplina em educação. Mas o professor pode melhorar sua prática.
ExcluirÁquila Sena Coelho Barbosa
O papel da Matemática ainda é tão forte, mas não com o intuito de contribuir na formação da cidadania, porém cada vez mais tem contribuído para o crescimento das tendências federelistas e da globalização dos movimentos de capitais.
ExcluirAcredito que ainda se insiste nesta matemática descontextualizada, porque de fato a preocupação primordial, não é ainda a de formar cidadãos coerentes com a sociedade em que vive. Mas, ainda predomina a ideia de individualismo que despolitiza as pessoas e legitima o desenvolvimento da desigualdade social, onde a vez é de quem tem mais poder aquisitivo, consequentemente pertence à classe social mais alta.
Nice Hermonita
O papel da Matemática ainda é tão forte, mas não com o intuito de contribuir na formação da cidadania, porém cada vez mais tem contribuído para o crescimento das tendências federelistas e da globalização dos movimentos de capitais.
ExcluirAcredito que ainda se insiste nesta matemática descontextualizada, porque de fato a preocupação primordial, não é ainda a de formar cidadãos coerentes com a sociedade em que vive. Mas, ainda predomina a ideia de individualismo que despolitiza as pessoas e legitima o desenvolvimento da desigualdade social, onde a vez é de quem tem mais poder aquisitivo, consequentemente pertence à classe social mais alta.
Nice Hermonita
Márcia Batista – O papel da cidadania e da matemática na escola e muito importante pois podemos vivenciar como a participação desses jovens vem sendo importante nas lutas pelo um ensino de qualidade, lutando pelos seus direitos. Mostrando que com a matemática esse sujeito se torna critico desenvolvendo um raciocínio logico sendo capaz de construir seus próprios saberes.
ExcluirMelhor tirar a Matemática do currículo mesmo? Ela é desnecessária na formação do cidadão? Se substituir pela chamada Educação Matemática, em que mudaria?
ResponderExcluirÉ melhor tirar a matemática do Currículo e inserir a chamada educação matemática, pois essa matemática que se encontra presente no currículo educacional esta inserida de forma descontextualizada, trazendo inúmeras dificuldades aos alunos, além de muitas vezes não ter sentido algum para eles, enquanto que a Educação matemática traria inúmeros benefícios para a constituição do sujeito como esta sendo afirmado no texto acima Educação matemática e cidadania: " Isto significa que o professor responsável pela condução dessa formação não pode ser um professor que ensina matemática mas um professor que educa matematicamente os jovens levando-os a aprender a ter um ponto de vista matemático sobre uma variedade de situações, nomeadamente ligadas à natureza e à vida em sociedade."
ExcluirMárcia Batista- Não acho que deva tira a matemática pois desde a educação infantil a matemática traz experiências desafiadora incentiva a explorar ideias, levanta hipóteses. Penso que a matemática seja muito importante para o cidadão pois o conhecimento matemático traz desafios. Acredito que se substituíssem pela educação matemática o educando teria outra visão de uma disciplina, que hoje não necessariamente não deixaria de ensinaria a matemática mas iria educa-lo matematicamente levando a ter, uma aprendizagem mas significativa levando o educando a novos conhecimentos lógicos
ExcluirBoa noite! RESPOSTA DE JOILDA - é melhor tirar a Matemática do Currículo, afirma Matos(2002)no tópico Da disciplina de Matemática à Educação Matemática. o que concordo pois, complementando o dito na resposta anterior, a matemática escolar praticada como meio de exclusão deve sim deixar de existir, entretanto, em seu lugar a educação matemática precisa ser a via de ensino e abertura de novos horizontes na pesquisa e desenvolvimento cidadão abrangendo assim o social e o político.
ResponderExcluirResposta- Taiane Cerqueira. Na minha opinião a matemática assumi sim um papel importante na sociedade, só precisa ser transformada em uma educação para que haja aprendizado por parte do aluno e não seja vista como uma disciplina tradicional obrigatória.
ExcluirNa escola os professores estão mais preocupados em dizer o que é a matemática do que ensinar a matemática. E é pela forma que a disciplina é ensinada que faz com que os alunos tenham medo de se relacionar com esses saberes matemáticos e a ver como uma disciplina negativa na escola. Se substituir pela educação matemática o professor não ensinaria a matemática, ele educativa matematicamente os alunos;levando-os a aprender a ter um ponto de vista matemático sobre diversas situações em sociedade e na aprendizagem do aluno.
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ResponderExcluir"A possibilidade de admirar o mundo implica em estar não apenas nele, mas com
ResponderExcluirele; consiste em estar aberto ao mundo, captá-lo e compreendê-lo; é atuar de acordo
com suas finalidades a fim de transformá-lo." Paulo Freire
Nesse sentido, podemos perceber que visões e práticas tradicionais de educação ainda permanecem fortes nos ambientes escolares. A compartimentalização das disciplinas reforça a exclusão, a partir do momento em que dá status a determinados saberes de algo acessível a poucos. A matemática, como tradicionalmente é oferecida, precisa, realmente, ser repensada.
Boa noite! Estive pesquisando sobre este famigerado processo descontextualizado do ensino da Matemática e, me chamou a atenção esta frase de Gérard Vergnaud, um grande pesquisador matemático, que dizia: "O conhecimento é fruto da maturação do indivíduo, de sua experiência e de sua aprendizagem". Neste sentido, creio que, de fato, existe uma carência na formação da maioria dos professores, no sentido de aproximar o conhecimento científico do ensino da matemática ao conhecimento do mundo que os cercam. Talvez, ,por este motivo, esta tal matemática ainda, em diversos ambientes escolares, permaneça inclinada à descontextualização. De acordo com Piaget, " o conhecimento é uma adaptação a situações nas quais é necessário fazer algo". Ou seja, só é possível reinventar este modelo de Matemática "engessado", se os professores que a utilizam, e os que possam vir a utilizá-la, pudessem compreender que de fato , o ensino de Matemática, vai muito além do que já vimos "tradicionalmente", e para isto é fundamental reconhecer que já existem novos conceitos, e neste caso, à Educação Matemática, é um exemplo muito importante neste processo. Neste contexto, concordo com nosso colega Paulo, quando diz que o ensino da Matemática , de fato, precisa ser repensado!
ResponderExcluirAcredito sim, na força real do papel da Matemática na formação de cidadãos. Acredito mais ainda, nesta matemática interdisciplinar, que deve ser potencializada e valorizada nas escolas, que vai além dos conceitos númericos. Esta que pode e deve , por exemplo, ser utilizada no cotidiano, e é considerada uma ciência viva, sendo bastante relevante no processo cognitivo do sujeito que dela se apropria. Podemos observar que ela está em toda experiência de qualquer parte deste mundo, abrangendo todas a sociedades , desde os primórdios até os dias atuais. É um processo educacional utilizado em todas as áreas do conhecimento científico. Porém, infelizmente, seu ensino na maioria das escolas não tem sido satisfatório, excluindo do processo educativo, principalmente aqueles que dela fazem uso cotidianamente.
ResponderExcluirGostei do texto e das observações feitas pelos colegas acima. Sou uma vítima de uma matemática decorativa, imprimida a anos em minha mente sem ter tido um espaço para questionar de que vão valer essas impressões na minha vida. Talvez as práticas tradicionais escolares não possibilitassem, bem colocado por Santos, ou não valorizavam a disciplina, de acordo com Mascarenhas. Agora, em que contexto a matemática tem que se transformar em uma disciplina de educação visando a escola pública? Onde não são nem nos dado, nem nos ensinado subsídios para praticar?
ResponderExcluirMesmo, com este questionamento, gostei da ideia do editor para começar a cair por terra os paradigmas estabelecidos na formação matemática dos jovens, espero que não demore, pois desde a publicação de Matos em 2002, nada foi mudado ou foi? Só se foi nas escolas TOP particulares. Mas, há uma luz no final do túnel, segundo D'Ambrosio sobre Etnomatemática, qualquer atividade que fazemos no nosso cotidiano tem um questionamento a se fazer relacionado a matemática e me lembrei quando fui ao mercado esta semana, percebi o quanto estava alto o preço do leite em pó mas, primeiro olhei o preço de acordo com as gramas informadas na embalagem. Observei se seria vantagem levar um de 1 quilo que custava R$24.98 ou 05 de 200 gramas que custava R$4.98. Matematicamente escrevendo eu deveria saber da quantidade que iria comprar, quanto eu iria gastar no total e quanto levaria.
Os números são relevantes na nossa vida, onde o uso da matemática se faz importante para que, através das unidades escolhidas de qualquer produto, somemos e assim conseguiremos levar a quantidade escolhida de acordo com as nossas finanças. Podem comentar.
Resposta da formação e cidadania.
ExcluirJoseane Magalhães Simas Santos
Ver a matemática como tem sido aplicada desde sempre nas escolas, não nos faz em nada relacionar com a cidadania, pois a escola, só tem, ainda hoje a preocupação do ensino de cálculos, regras, definições matemáticas de forma isolada e mecânica, como se ela pertencesse a um mundo só dela e não se relacionasse com outros saberes e muito menos com a vida em sociedade.
ResponderExcluirNa atualidade, percebemos que a matemática não se configura desta forma, embora na prática continue assim. Ela está presente nas práticas sociais e na natureza, sendo assim ela tem papel fundamental, assim como as demais áreas do saber na construção da cidadania, uma vez que desenvolverá e despertará desde os primeiros anos da vida escolar do sujeito, o saber crítico, reflexivo, lógico, questionador, transformador na sociedade, pois ela será ensinada e percebida como parte integrante de um todo.
Por isso, a necessidade da formação integral do educador, para que o mesmo possa mudar a realidade do ensino da matemática como se mantém atualmente.
Educar através da matemática é a arte de descobrir os valores de cada sujeito, suas experiências vividas, somadas em sua vida, contribuindo assim, na multiplicação da sua formação como cidadão. Apesar de que, no Brasil, o ensino de matemática tem sido bastante discutido, pois inúmeros estudos indicam o nível de desinteresse dos estudantes pelo assunto, bem como o índice de desistência nos cursos que envolvem Matemática. Aí que entra o papel do professor para contextualizar a Matemática, ele deve extirpar toda a sua ociosidade e buscar uma melhor divulgação das representações matemáticas às novas gerações e que essas representações sejam aceitáveis por elas e eficazes em relação ao objetivo de aprendizagem.
ResponderExcluirPor isso o conhecimento é um objeto importante e a essência está na troca de saberes entre o docente e o sujeito, e que o saber seja uma finalidade importante da escola.
Joseane M. Simas Santos
Resposta da matemática descontextualizada.
ExcluirResposta da matemática descontextualizada.
ExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ExcluirA matemática é essencialmente importante para a formação do sujeito,pois a sua aplicabilidade está atrelada a outros saberes, possibilitando no aluno , o seu desenvolvimento pessoal,social e ideológico.
ResponderExcluirNa aprendizagem da disciplina matematica, é perceptível, ainda a manutenção de conteúdos programaticos tradicionais, focados na "matemática escolar." que é uma transmissao ssem contexto. É necessário que ,escola e professores estejam engajados num processo de mudanças, estabeleçam melhor as relacoes entre ensino, aprendizagem e conhecimento matematico que é o objetivo da educação matematica. Nao se deve tirar a disciplina do currículo, mas sim a forma sistematica do ensino-aprendizagem.
por Francisca Euzebia
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